IGREJA DE CRISTO É CASA DE MISERICÓRDIA.
Existia em Jerusalém um tanque chamado de Betesda, que em Hebraico significa “casa de misericórdia”, no evangelho segundo João capítulo 5:1-15 narra que em certo tempo um anjo descia ao tanque e agitava as águas; e o primeiro que descia depois do agito das águas era curado de quaisquer enfermidades.
Uma multidão de doentes para lá se dirigia, afim de alcançar o seu milagre entrando no poço. Há disputa era grande, cada um era por si, não havia tempo para se ater ao sofrimento de quem estava ao lado, não importava o nível individual do sofrimento, cada um julgava o seu problema maior que o do outro e urgente de se resolver.
Não tão distante dali havia um homem paralítico, cujo bíblia não descreve que tipo de paralisia era esta, mas era algo que o impedia de caminhar e ir até ao tanque de Betesda.
Os Judeus tinham por ideologia que todos os deficientes eram amaldiçoados, por isso quem nascesse com alguma doença congênita era ridicularizado e excluído de toda relação social, pois não podia trabalhar, realizar coisas comuns a qualquer cidadão, até mesmo aos familiares destes se afastavam, eram enxergados por muitos como uma maldição.
A bíblia não diz se este paralítico tinha família, se a tinha, esta o havia abandonado a própria sorte, ficando a espera da misericórdia de qualquer um dentre a multidão que se dirigia a betesda.
Há trinta e oito anos este homem padecia de paralisia, décadas perto do tanque dos milagres, vendo muitos sendo curados, vendo a hipocrisia nos olhos dos religiosos, vendo a indiferença para com o oprimido, vendo o egoísmo e o desamor daqueles que enchiam as sinagogas.
Há trinta e oito anos este homem padecia de paralisia, décadas perto do tanque dos milagres, vendo muitos sendo curados, vendo a hipocrisia nos olhos dos religiosos, vendo a indiferença para com o oprimido, vendo o egoísmo e o desamor daqueles que enchiam as sinagogas.
Imagine esse quadro? Há poucos metros estava à solução para a cura do paralítico, a poucos metros estava à realização de seu sonho de ser curado. Um dia vi uma cena na televisão que pode ilustrar a situação vivida por este paralítico. Um menimo muito pobre passava em frente de uma loja de brinquedo e ficava vislumbrado e extasiado com a beleza daqueles brinquedos, logo seu semblante se emudescia, ele baixava a cabeça, virava as costa e ia embora, estava tão perto o seu sonho mas não podia alcançá-lo, assim era aquele paralítico, ele via o que mais desejava, mas não podia alcançar deviso seu estado físico.
O desejo de alcançar o seu sonho era o combustível para sua esperança, dias e noites se passaram, quantas vezes se arrastou por solos empoeirados, quantos nãos recebeu, quantas palavras desprezíveis ouviu.
Mas sua esperança não morreu, anos após anos ele continuava crendo que alguém dentre aquela multidão o olharia com um olhar diferente, com misericórdia, alguém que se importasse com o pobre e necessitado.
Naqueles trinta e oitos anos de espera a beira do tanque de Betesda o paralítico estava em uma escola ao céu aberto, imagine o que ele poderia ter aprendido daquela multidão, poderia ter aprendo: ser egoísta, preconceituoso, indiferente e desamoroso, pelo contrário o foco no seu sonho o absteve dessas armadilhas.
Jesus vendo o seu estado e sabendo do tempo que estava ali, o perguntou se queria ser curado, o que você acha? Claro que sim, mas esta não foi à resposta imediata do paralítico, aquele ambiente tão hostil e a falta de misericórdia daquele lugar era tão grande que ele não conseguiu expor o seu maior desejo, ser curado.
Pela primeira vez, depois de trinta e oito anos alguém lhe dirigi a palavra e o ouve, alguém diferente de todos aqueles que passaram por ali durante aqueles anos. Antes de responder ao mestre Jesus, ele abre o seu coração e se desabafa, dizendo: Não tenho ninguém que me desça no poço quando a água é agitada, mas, enquanto eu vou, desce outro antes mim.
Quanta dor e humilhação este homem sofreu, aquele lugar que tinha por nome casa de misericórdia, nada tinha de misericórdia, era apenas um nome de fachada, se tornou um lugar restrito.
A igreja do senhor Jesus tem que ser “casa de misericórdia”, ela tem que receber os doentes de corpo e alma, ela não faz triagem de quem será tratado primeiro, não há distinção social, ela recebe em sua enfermaria rico e pobre, ladrões, viciados, homossexuais, pessoas de todas as tribos urbanas.
Muitas igrejas vivem o modelo de Betesda, um sistema seletivo, de exclusão. Quantas pessoas, assim como aquele paralítico, estão próximo da casa de misericórdia (igreja) há anos e não recebem tratamento, porque onde deveria existir misericórdia, não existe.
Há muita gente marginalizada, esquecida, considerada irrecuperável pela sociedade e só há um lugar para essas pessoas receberem a cura, ”a casa de misericórdia”, a igreja do senhor.
Jesus não veio para os sãos e sim para os doentes, se você é um crente e já foi curado, agora, mova-se, têm muitos doentes que se encontram pelas ruas e avenidas, debaixo de viadutos, nas bocas de fumo, nos prostíbulos, em plena escuridão espiritual eles estão à espera de quem os levem ao hospital de Deus, “sua igreja”
Por: Luís de Freitas